sábado, 18 de agosto de 2018

Adoro caminhar...

Adoro caminhar...

Pisos, caminhos, ladrilhos,portas, passagens, lugares
São sonhos
São esperanças...
Estou gastando a vida ao andar
Estou usando este veículo para andar por aí e
Captar o mundo
O meu mundo
Ando colecionando belas lembranças, muitas coisas passaram
Nesse andarilhar sonoro
Sou eu passando pelo mundo,
Deixando meu sulco, no sulco dos antigos, um marco para os novos e futuros...
Cada tempo tem seus dissabores e desafios, seus amores e desejos
Eu nada deixo além desse breve andar, andar, andar...
Fernanda Blaya Figueiró



















Sou andarilha de magias







































quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Uma brincadeira: Sr. Comissário!


Sr. Comissário!
Notícias da Terra?
Sim. Continua tudo igual nesse Planeta.
Evoluções?
Muito poucas, continua homocêntrica.
Como assim, isso já não tinha sido superado?
Não. O homocentrismo hoje leva o nome de individualismo.
No que difere do conceito antigo?
Cada célula da sociedade humana se acha o centro do Universo, perderam a noção de unidade e vivem se auto destruindo e com isso agem contra o próprio planeta, chamam de: cortar a própria carne.
Eles acham que podem existir fora do Planeta?
Sim. Pior do que isso acham que o Universo existe para suprir suas necessidades fisiológicas.
Compreendo. O que você fez quando esteve lá?
Vive como todos os outros pois é a única forma de viver lá.
Quer voltar a vida?
Não. Obrigado. Quero ficar na paz eterna do etéreo.

Fernanda Blaya Figueiró

terça-feira, 31 de julho de 2018

Exercício de literatura: Cruzando historias que não se cruzaram.


Exercício de literatura
Vou tentar uma velha tática para desbloquear a criatividade, usar noticias para criar contos. Não conto qual para não tirar a curiosidade, mas é antiga não procure nos jornais de hoje... Tirei de: Rio Antigo - Memórias.
Cruzando histórias que não se cruzaram.
Foi naquele dia que a sua vida mudou, tinha ele uns oito anos quando foi pego com um amigo vendendo um pesado presunto roubado, naquele tempo isso era errado, hoje ainda é, os homens da lei e da ordem pousaram para a fotografia da apreensão. O amigo era mais forte, mais velho, mais bronzeado e tinha o jeito cabisbaixo de quem sabe o que esperar da vida: nada. Os fiscais ao redor dos meninos, em seus trajes de trabalho estavam indignados, o fiscal da alfândega incomodado, o policial armado, mantinha o olhar perdido de quem entende e sente a dor dos meninos. O cão se escondeu só fazia o que sabia: farejar. Suas sombras contam que já passava do meio dia que o sol já buscava o poente, o fotógrafo não cruzou suas histórias com a dele, apenas fazia o que sabia: capturar imagens.- Aqui, preste atenção, a notícia deixa de ser e passa a não ser mais real, aqui exatamente que Fênix ganha asas... Há a notícia e há a abstração dela; a literatura, que coisa, isso não é o Fake, é a criação, tem diferença... - Assim que guardava o equipamento o menino de olhos de águia percebeu uma janela, uma oportunidade, o fiscal da alfândega curvou-se levemente, os fiscais da prefeitura relaxaram de suas poses, o menino percebeu e passando por trás do amigo fugiu, correu, correu, correu... Era franzino, ágil e rápido, se esgueirou pela rua, entre os transeuntes e os carros... Deixou tudo para trás, não soube que o amigo nem viu o lampejo ou ouviu o estampido, da arma do guarda que reagiu a fuga... Tombou inerte ao lado do presunto apreendido... O cão perdeu o menino já lá longe perto dos trilhos do bonde. O fotógrafo nada disso capturou, estava de costas explicou ao delegado. Uma notinha de pé de pagina informava que um perigoso ladrão havia sido morto na fuga e que seu perigoso comparsa estava solto, a polícia estava em seu encalce, a mãe não sabia nada de seu paradeiro, o pai estava colhendo café... O menino correu, nunca mais voltou, foi de cidade em cidade se cortava a grama ganhava um pão ou uma moeda, rachava lenha, ficava pouco tempo em cada lugar, se perguntavam seu nome dizia um qualquer, pois qualquer um servia, se perguntavam sua idade dizia que não sabia... Deixou filhos em alguns cantos, não voltava, nunca voltava, nada dessas vidas ele sabia... Foi naquele dia lindo que sua sorte mudou, que seu rumo se perdeu, nunca soube quem era, nunca parou para sentir medo ou para explicar nada. Hoje de seu só tem os pés rachados, uma camiseta velha, uma bermuda surrada, um boné muito antigo, dos seus oito anos, de sua vida nada lembra, nada sabe. As mãos cansadas trançam palha na aldeia dos Charruas, é quieto como foi a vida toda, mantém o hábito de cruzar as mãos em frente ao corpo, mantém o olhar desafiador, a cabeça reta, o corpo pronto para achar o poente. Posso tirar uma fotografia? Pode não, moça! Isso rouba a alma da gente, me disse uma vez. Não tirei é lógico a fotografia e só agora compreendo o pesar no seu olhar, não digo seu nome porque qualquer um serve, será que essa pequena história também rouba a alma?
Fernanda Blaya Figueiróa

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Minha poética.

Minha poética.

Minha poética mudou, não tenho mais engenho para poemas e menos ainda para contos, não sei o que passou, se fui em quem mudou ou se foi o mundo. Poesia é arte da sensibilidade, as palavras hoje tem menos força poética do que as imagens ou ainda as imagens em movimento, isso não significa qeu o dom e a beleza da palavra tenham desaparecido, eles apenas mudaram. A literatura nunca vai morrer, mas ela também muda, hoje tudo é muito rápido e nessa rapidez as vezes parar e ler fica difícil, ou seja essencial para estar consigo mesmo. Há muito pouco silêncio no mundo. Ler é silencioso então sempre terá as pessoas que gostam dessa antiga arte, dessa forma de estar e ser no mundo. Hoje não me penso uma escritora ou poetisa, mas sim uma blogueira, fazer que já está superado, mas que ainda mantenho... Tem dias que sinto mais vontade de escrever do que em outros, agora criar personagens algo que sempre gostei não tenho mais habilidade, perdi, então atualmente minha poética é essa prosa sem nexo. Gosto mais de escrever do que de ser lida, talvez isso não faça o menor sentido, ainda bem que esse fazer livre  não necessita de sentido ou de explicação.

Fernanda Blaya Figueiró

sábado, 28 de julho de 2018

A Guaipeca Anarquista.


Oi, eu tentei ignorar a política, mas não deu, é muito divertido acompanhar esse circo até reinventei um blog que antes chamava de "Limitado a mim", depois  tentei "Sem tempo para chatice" e ficou muito chique nomeado como "Imaginário das coisas cotidianas, www.lcoisascotidianas.blogspot.com ... 
Mas é só uma vontade de descolar um pouco da realidade... esse continho A Guaipeca Anarquista vou postar lá, se alguém se interessar.

Um continho para variar...
A Guaipeca Anarquista.
Aconteceu assim a Guaipeca Anarquista, ou Anarquista a Guaipeca, como o leitor preferir, era uma linda cadelinha sem raça definida, de olhos castanhos e pelo longo como fios de lã, vivia perdida pela ruas, até que um dia uma Senhora meio do tipo Anarquista a recolheu, alimentou e castrou, porém não podia ficar com ela. Conversa vai, conversa vem e ela foi parar numa longínqua vila de uma cidade grande, entre muros e muita gente. Um dia, ah, um dia, sempre há um dia nas histórias... O dia, pois para ela foi esse, um traficante das vizinhanças fugia da polícia e pulou em seu território: - Oh! Que horror! Em seguida um soldado veio em captura: Oh, que coisa! Guaipeca Anarquista fez o que fazem os cães: Atacou! Quem? Pois então, sendo ela na origem meio tipo Anarquista, e sendo estes contrários aos coturnos, ela mordeu e mordeu e morde, coturno e chinelo, chinelo e coturno... Foi uma mordição e uma confusão, criança gritando, mãe apavorada, traficante esfolado, soldado atordoado. Gente brotando nos muros as pencas como banana madura e onde foi a Guaipeca Anarquista parar? Então... Na prisão. Veja bem que é tudo verdade ou não sei bem se é mesmo, mas foi parar no Xilindró. Corre daqui, corre de lá e sob uma bela fiança, foi Guaipeca solta, mas ficou jurada, se mordesse novamente seria o fim. O Fim! Meu Deus do Céu, e agora? Então, ocorreu que sua fama se espalhou e naquele quintal ninguém mais entrou. Ali vivia a Guaipeca Anarquista, ou Anarquista a Guaipeca, esse quintal fica depois do arco íris, um paraíso dos cães, onde toda a chuva é de água doce e quentinha, os rios de leite e mel, os campos verdes e lindos, as coxilhas boas para brincar, não há cercas ou muros, não há ordem, nem desordem, tudo está resolvido o soldado joga ossos deliciosos para ela, o traficante, se redimiu e conta causos dos tempos antigos, no quintal há brincadeiras e soneca, muita criança brincando e sol com chuva, chuva com sol. Acorda, Guaipeca Anarquista!!! Anarquista Guaipeca!!! Ah, não, só mais um soninho, disse ela com preguiça, hoje não tem nem soldado, nem ladrão, nem casa, nem prisão... Não tem não, só mais um soninho... Essa é a vida lá longe...


Fernanda Blaya Figueiró

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Coisas do pago... trovas pequenas.

Coisas do pago... trovas pequenas... Sobre a série Versailles
Hoje acordei entoando uma velha canção que não lembro de quem é, googuei e não encontrei mas escrevo aqui pois alguém no Rio Grande ainda conhece...
"As trovas pequenas não vou rebater... em mil vozes irã se perder... quero contar coisas do pago, de cuia na mão ao fogo de chão..."
É lindo isso, há trovas que de tão pequenas não vale a pena cansar rebatendo, assim estou para acompanhar a lenga lenga da política nacional, a crise na Nicarágua mostra que a América Latina virou um barril de pólvora, pronta para explodir... Uma jovem estudante brasileira morreu nessa guerra, muitos jovens morrem diariamente em toda a América, somos um continente guerreiro, que ama as armas e onde o poder é exercido por gangues e facções, além do Estados, pois lembrando dos filmes norte americanos fica claro que lá também o jogo de caça entre gatos e ratos é presente e dominante. A esquerda no poder foi um profundo fracasso, usou o Estado para si mesma e destruiu as possibilidades da população crescer e ter autonomia, colocou todos em baixo do tacão das botas de seres como Lula Jararaca, Mujica, Kirchner, Raul Castro ( de memória o nome Fidel já se apagou, que coisa) Maduro, Ortega ... Outros novos bilionários não recordo, mas seus países sofrem as consequência do ataque financeiro que foram seus governos.
2018, 25 de julho, a corrida eleitoral no gigantesco Brasil está desanimada e pouca perspectiva das reais mudanças que o país precisa aparecem, vamos aguardar para ver quem é o candidato menos pior, o que pode nos salvar da sanha por dinheiro dos poderosos que enriqueceram as custas da miséria do povo.
Estou assistindo a uma excelente série Versailles e a corrupção, o desregramento a violência desenfreada do Estado e da Comunidade é assustadoramente parecida aos dias de hoje, Brasília é nossa Versailles? Serão os ministros, deputados, juízes os nobres que vivem, comem, bebem, se drogam e riem na corte do Planalto, as custas do povo que míngua atolado na miséria? Ainda não terminei de ver a série, que foi muito generosa com o Rei Luiz XIV, um exibido de marca maior, o elenco é belo e fantástico, nos faz perceber que ainda há cortes e todo mundo quer estar nelas a qualquer preço.
"As trovas pequenas..."
Fernanda Blaya Figueiró

terça-feira, 24 de julho de 2018

A travessia do rio.

A travessia do rio.

A ponte que liga minha cidade natal Cachoeira do Sul a capital está interditada para reforma, fomos lá para visitar os parentes e confraternizar a boa nova da espera pelo meu primeiro neto Dante. Na ida optamos por um caminho mais longo passando pelo morro do Botucaraí, um lugar lindo e encantador, na volta cruzamos o Rio Jacuí de balsa, como era antigamente. Cachoeira é uma cidade que tem sua força principalmente na economia rural,  enfrentou bem a crise e está bem cuidada. A travessia do rio ganha uma importância maior e uma consciência da força da natureza que a ponte não tem, passamos milhares de vezes sobre o rio e não entramos em contato com ele, não nos conectamos, assim como andamos sempre pelas mesmas ruas e perdemos a magia das ruas pouco conhecidas. A volta da ponte é muito aguardada pois no dia-a-dia a balsa demora, mas para um passeio de domingo é uma lembrança memorável. É uma bela cidade Cachoeira e o rio uma de suas fonte de riqueza, bom lembrar isso na travessia. É desse lugar que eu venho.

Fernanda Blaya Figueiró